Casos de suicídio preocupam ABERSSESC, PMSC e profissionais da saúde




Nos últimos anos, a ABERSSESC vem noticiando com mais frequência o aumento do número de suicídios entre policiais militares catarinenses. Isso nos fez analisar e perceber o quanto a atividade é estressante ao ponto de muitos tirarem sua própria vida. É necessário que se busque alternativas e acompanhamentos de profissionais especializados. Obviamente que diversos fatores são os causadores deste estresse tais como: atividades profissionais, traumas ou problemas familiares, entre outros.


No Brasil, que ocupa o 8º lugar em números de suicídios do mundo, com mais de 11 mil mortes – 32 por dia -, as Polícias Militares preocupadas com os números que não param de crescer estão realizando diversos trabalhos de prevenção.


Só para se ter uma ideia, a taxa de suicídio entre policiais militares é 7,2 vezes maior do que da população em geral. O policial militar possui uma jornada exaustiva de trabalho, com carga horária superior a 40 horas semanais, sendo identificadas como fator principal o aumento da frequência de queixas de saúde e diagnósticos médicos. O nível de estresse de policiais é superior em comparação a outras profissões, devido à natureza do trabalho que é exercido com sobrecarga das atividades e por fatores institucionais, cuja organização é pautada na hierarquia e disciplina militar.


Em Santa Catarina, entre 2012 e 2019, um total de 19 policiais militares cometeram suicídios. Em 2012 foi apenas um. Já em 2015, foram 10 – um número alto e expressivo que fez com que a PMSC ficasse alerta a esta estatística. Em 2019, foram dois suicídios. A maioria deles eram soldados, que somaram nove. Temos ainda três cabos, quatro 3º sargentos. Nas classes de subtenentes, majores e tenentes-coronéis somam um cada. O que chama a atenção é que o suicídio matou neste período de oito anos, mais do que arma de fogo (17) e acidentes (15). Em setembro de 2019, o então comandante-geral, coronel Carlos Alberto de Araújo Gomes Júnior, assinou um ato, no qual institui o protocolo de atendimento de risco suicida e o manual de prevenção ao comportamento suicida em policiais militares. Neste protocolo, há uma serie de procedimentos e campos de análise no qual os comandantes imediatos, psicólogos e assistentes sociais se baseiam para entender se aquele policial militar pode ou não vir a se suicidar. É um documento contundente, no qual traz a postura que o outro deve ter ao se deparar com um colega que está num processo de depressão, principalmente. Traz ainda, uma série de protocolos e itens a serem seguidos.


Todos os especialistas são unânimes a relatar que o bem-estar psicológico do policial militar merece atenção especial, uma vez que a estabilidade psíquica leva a uma melhor qualidade de vida e uma condição de trabalho digna e gratificante. Ao considerar a alta taxa de suicídio de policiais militares quando comparada a população em geral e a relevância social do trabalho dessa classe profissional, há uma grande necessidade de buscar formas de entendimento do ato como um fenômeno de autodestruição e que deve ser entendido como uma grande necessidade de prevenção possibilitando serviços de apoio, acolhimento e reabilitação de pessoas afetadas por este tipo de ocorrência.


O policial militar precisa ser respeitado e ter um salário compatível com suas funções, além do apoio de seus familiares e colegas de trabalho. Em Santa Catarina, a Polícia Militar vem intensificado suas ações na área de saúde mental de seu policial militar. Diversas práticas de caráter preventivo visam orientar as atuações policiais, buscando principalmente um acompanhamento quando da constatação de conduta que, por sua natureza, apresentam reflexos de mudança de comportamento.


A ABERSSESC apoia esta iniciativa da PMSC e se coloca à disposição dos policiais militares, bem como da Corporação para ajudar na prevenção e diminuir as taxas dos casos de suicídio.



Nota:

- Dados retirados do trabalho de conclusão de curso (clique aqui para ver completo) do tenente-coronel Iloir Adur de Oliveira Júnior e do major Diego Remor Moreira Francisco

- Ato da Polícia Militar n.º 1012/PMSC/2019 (clique aqui para ver o ato)




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