Pesquisa realizada pela FGV mostra como os policiais militares estão lidando com a Covid-19



Uma pesquisa (leia na íntegra) realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrou que a maioria dos policiais militares e civis brasileiros tem medo de contrair a Covid-19 – que é sentido também por boa parte da opinião pública. Em termos gerais, os dados da amostra permitiram inferir que 59,7% do efetivo de policiais militares e civis no Estado de São Paulo sentem medo de contrair ou ter algum familiar contaminado pelo novo coronavírus, percentual significativamente menor do que entre os policiais de outros estados, que chega a 68,8%. O sentimento do medo pode fazer com que os policiais busquem uma maior proteção contra a ameaça do vírus.


A verdade é que ninguém está preparado para lidar com um “inimigo” invisível. Os policiais militares e civis estão na linha de frente deste combate e até o início do ano sabiam como reagir a qualquer “missão” que lhe fosse dada. A sensação de segurança e preparação para lidar com a crise é um componente essencial para manutenção do trabalho nas conformidades adequadas e do bem-estar dos profissionais do “nível da rua”. Do total de efetivos da PC e PM combinadas no Estado de São Paulo, 39,2% se sente preparado para lidar com a pandemia, enquanto 31,5% não se sentem e os demais 29,3% ainda não sabem avaliar. Embora de modo geral os resultados indiquem que o efetivo policial está divido em relação a este tema, é de se notar que os policiais de São Paulo parecem se sentir mais preparados para atuar em meio à pandemia do que os policiais de outros estados. Nos demais estados, apenas 30,6% dos profissionais de segurança pública afirmaram se sentir preparados para atuar em meio à pandemia, 43,9% disseram não se sentir confiantes para exercerem seu trabalho e 25,4% afirmaram não saber responder. Em relação aos equipamentos de proteção individual (EPI’s), tais como máscara e álcool gel, menos da metade dos policiais de SP recebeu o material para atuar durante a pandemia, já nos outros estados esse número chega a apenas 1/3.


A pesquisa ainda mostrou que mais de 80% dos policiais civis e militares brasileiros afirmam que a crise alterou as formas como se relacionam com os cidadãos. É de se ressaltar que o trabalho policial pressupõe o contato diário com o cidadão, seja através de abordagens, seja no atendimento ofertado nas delegacias de polícias. Isso significa que as medidas de isolamento social afetam sensivelmente o cotidiano dos profissionais de segurança, tanto pela redução na circulação de pessoas no dia a dia das ruas, quanto pela expressiva redução dos atendimentos presenciais nas delegacias, substituídos paulatinamente por registros online de ocorrências.


Com a pesquisa realizada pela FGV notou-se que a grande maioria dos policiais militares e civis do Brasil não se sente preparados para atuar na linha de frente do combate ao coronavírus. O que se mostrou é que estão fazendo o seu trabalho da melhor maneira possível dentro da realidade ofertada até o momento. Não temos informações de quanto tempo o vírus ainda irá circular, nem quanto tempo ainda teremos de distanciamento social. Estamos vivendo num Brasil de incertezas. A segurança pública está fazendo o seu papel e mesmo diante do medo está seguindo seu trabalho.

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