Sub Tenente Roberto Martins conciliou carreira militar à vida acadêmica
Formado em Ciências Contábeis e mestre em Gestão de Negócios, ele prepara-se agora para a conclusão do doutorado, no qual defenderá tese sobre Polícia Militar X Conhecimento.

Na Polícia Militar há 27 anos o Sub Tenente Roberto Martins (46) sabia que tinha um longo caminho a percorrer como praça até chegar a Sub Tenente. Caminho, este, já pré-estabelecido. Entretanto, quis fazer mais, buscar mais. Sair da rotina de escolaridade necessária para a graduação de Sargento - nível médio – e buscar mais conhecimento e alternativas profissionais compatíveis com a vida militar.
A fome pelo conhecimento foi, na verdade, a mola mestra que o impulsionou para a carreira acadêmica. Formado em Ciências Contábeis, mestre em Engenharia de Produção e prestes a concluir o nível de doutorado, Roberto Martins, fez do estudo uma alternativa para evoluir na vida profissional, em uma época em que a Polícia Militar de Santa Catarina estava longe de reconhecer a importância do curso superior para os praças.
"A principal motivadora foi minha esposa, Cleuza. A idéia principal partiu da necessidade de uma preparação para a reserva, ter o que fazer no futuro. Também para servir de exemplo aos meus filhos. E pela satisfação de minha mãe, Dircéa, em ter um filho com nível superior", revela Roberto, lembrando que investir no estudo, não foi assim uma decisão tão simples, pois tinha que conciliá-lo com sua rotina de trabalho e com a vida em família.
Em 1990, o então 3º Sargento Roberto foi transferido para Lebon Régis, para comandar o 3º Grupo de Polícia Rodoviária. No final do ano seguinte presta vestibular para uma das 30 vagas do curso de Ciências Contábeis da Universidade do Contestado – UNC, no campus de Caçador. Em março de 1992 inicia as aulas, no período noturno. "Deslocava-me todas as noites de Lebon Régis para Caçador, percorrendo um total de 80 km, por dia", recorda Roberto, acrescentando que o transporte era realizado pelo ônibus da prefeitura. "Entrava vento por todo lado. No inverno, tínhamos que levar cobertor para ficar um pouco mais aquecidos. Para se ter uma idéia ao final da aula, por volta das 22h15, os carros na rua já estavam cobertos pela geada".
Em 1994 solicitou transferência para sede da Policia Rodoviária Estadual, em Florianópolis, pois já estava quatro anos longe da família. "Meus filhos já não queriam voltar mais para Lebon Regis, quando do termino das férias".
No retorno a Capital, Roberto poderia ter transferido o curso, ainda em andamento, para a Universidade Federal de Santa Catarina, mas devido à diferença de carga horária que o faria estender o curso por mais dois anos, optou por concluir o curso na Universidade do Vale do Itajaí, compus de Biguaçu.
Foram tempos difíceis. A BR 101 não era duplicada, o trânsito infernal, o expediente: período integral. Como a sede da PRE ficava no bairro Jardim Atlântico, Roberto pegava o ônibus destinado aos alunos da UNIVALI, no meio do itinerário. "Não tinha mais lugar para sentar. Fazia o trajeto em pé". O detalhe é que o percurso que hoje é de 20 minutos, na época, levava mais de uma hora. E tem mais: na época não podia deixar o ambiente de trabalho em trajes civis. "Eu trocava a roupa na guarita que ficava na entrada, bem longe da sede, era um sufoco só", recorda-se Roberto.
Mas, a despeito de todas as adversidades, conclui o curso em 1996 o no ano seguinte obteve o registro no Conselho Regional de Contabilidade.
Em 2000 inicia o Mestrado no Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Produção na UFSC, na área de concentração em Gestão de Negócios. Nessa época foi para a Academia da PM, no bairro Trindade. De lá foi para o Colégio Policial Militar Feliciano Nunes Pires, onde permaneceu até Janeiro de 2003. "Tinha aulas na parte da manhã, tarde e noite. Nesse período tive total apoio dos diretores do Colégio, Cel RR Jorge, Cel Anselmo e Maj Zatariano".
Ainda em 2003, recebe o título de Mestre em Engenharia de Produção.
Em janeiro do ano seguinte, foi para o 4º BPM, indo trabalhar, na época, no 2/4º BPM norte da ilha. Nesse período também lecionou como professor substituto na UFSC e ÚNICA. Em 2005 foi convidado pelo TC Arruda, para trabalhar na Corregedoria geral, onde permanece até hoje.
A vida acadêmica, porém, ainda não estava concluída. Roberto queria ir adiante. E em 2009 foi aprovado no processo de seleção no Programa de Pós-Graduação de Engenharia e Gestão do Conhecimento na UFSC, no nível de Doutorado.
"Meu projeto de tese está relacionado com a Polícia Militar x Conhecimento. Meu objetivo para 2011 é realizar a defesa da qualificação", revela.
No currículo do Sub Tenente ainda está incluído a co-autoria em diversas publicações, além de artigos em periódicos. Entre os livros nos quais ele é co-autor estão: "Vitrine de Talentos: notáveis empreendedores em Santa Catarina"; "Empreendedorismo e Desenvolvimento Sustentável: visão global e ação local"; "Mídia, Educação e Subjetividade: disseminando o conhecimento"; e "Gestão da Produção Industrial: a mente por trás da indústria".
A família é outro orgulho. Do casamento com Cleuza, nasceram: Roberto Júnior (23), que está na 2ª Fase do curso de Medicina da UFSC; Roberta Cabral da Silveira (19) Técnica em Segurança do Trabalho pelo Instituto Federal de Santa Catarina; e Celso (16), que está cursando o terceiro ano do ensino médio no CFNP.
A três anos da aposentadoria, Roberto está longe de pensar em descansar. Atualmente já leciona na Faculdade Borges de Mendonça, mas planeja ingressar definitivamente no magistério superior.

Incansável na busca da realização pessoal, ele conclui, deixando um incentivo para quem está acomodado ou precisando de um empurrãozinho para novas conquistas: "Nunca deixe que nenhum limite tire de você a ambição de estudar. A alegria está na luta, no sofrimento envolvido, não na vitória propriamente dita, nunca esqueça que o conhecimento é seu, ninguém jamais poderá tirar de você".
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