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A história do St. RR. Sebastião Florêncio de Medeiros em livro

“A trajetória de um negro catarinense”, o primeiro livro autobiográfico lançado por um subtenente da Polícia Militar de Santa Catarina, relata a história de um filho de escravo.

Aos 77 anos a vitalidade que o Subtenente da Reserva Remunerada da Polícia Militar, Sebastião Florêncio de Medeiros, emana é contagiante. Tamanho vigor levou o subtenente a trabalhar até aos 73 anos entre PM, escrivão e setor penal dos presídios feminino e masculino da capital, e quando finalmente se aposentou não parou, escreveu uma autobiografia, fato inédito entre subtenentes e sargentos do Estado.

Os motivos de colocar no papel sua história

Pai de dez filhos e casado há 50 anos com a mulher, Margarida Leandro de Medeiros, é a eles que o Subtenente responsabiliza pelo término da obra “A trajetória de um negro catarinense”, e é a eles que Sebastião dedica o livro. Durante um ano e meio, entre os anos de 2007 e 2008, Sebastião se dedicou a colocar no papel um pouco de sua história.
A principal motivação foi a dúvida levantada por colegas e conhecidos quando falava sobre sua vida e seu pai, e revelava ser filho de escravo. Para provar a veracidade anexou no livro a cópia da Certidão de Casamento de seu pai Manoel Florêncio, datada de 1905, no documento consta sua idade na época, 40 anos, o que atesta que em 1888, quando assinada a Lei Áurea, Manoel já estava com 23 anos.

Colocar no papel sua vida foi fácil, teve que contar apenas com a memória, mas para publicar foi uma história a parte. Sem poder contar com incentivos do governo, o St. RR Sebastião, financiou toda a publicação, desde a gráfica, até as 150 cópias feitas pela Editora Lobo. Ao todo, são 100 páginas que relatam os primeiros passos, um pouco do contexto histórico do país - como a II Guerra Mundial e a Revolução de 1964 -, o racismo vivido em alguns momentos, vida familiar e afetiva, decepções e momentos tristes, bem como os momentos felizes dos seus 77 anos de vida.

Quem é Sebastião Florêncio de Medeiros

Sebastião Florêncio de Medeiros, natural de Videira, teve uma infância feliz no oeste catarinense em meio aos nove irmãos, completou o segundo grau, foi coroinha na igreja da comunidade, e teve momentos incertos em meio ao racismo das famílias italianas que moravam na região. Trabalhou como professor complementarista, servente de pedreiro e Office boy, até ficar desempregado e decidir se mudar para Florianópolis para procurar emprego e cursar uma faculdade de direito.

Trajetória na Polícia Militar

Ao chegar na capital logo suas economias acabaram e os planos mudaram. Ficou sabendo que o Quartel General da Polícia Militar estava selecionando recrutas e candidatou-se, foi aceito e encaminhado para a 2ª Companhia do Batalhão de Infantaria e no início de 1953 é, finalmente, incluído na Polícia Militar de Santa Catarina. Ao passar duas semanas faz o curso de Cabo Combatente, passa em quarto lugar e recebe o direito de fazer o curso de sargento.

A partir deste momento o então, Sargento Sebastião, passa a residir em diferentes locais do Estado. Primeiramente se muda para Herval D’Oeste, na Primeira Companhia Isolada, logo após torna-se Delegado Distrital de Volta Grande e Abdon Batista, Delegado dos Municípios de Maravilha, Ponte Serrada e Jaborá, e Delegado de Comarca de Capinzal. Além destas funções ainda foi presidente durante quatro anos da Associação de Pais e Professores do Colégio Cristo Reis, em Joaçaba, foi secretário da Associação Alvorada, em Florianópolis e vice-presidente do Conselho Deliberativo da ABERSSESC.

Permaneceu 23 anos na corporação, passou para a Reserva em 1976, mas logo após foi convocado pela Polícia Civil para prestar serviços como escrivão. Nesta função trabalhou durante 11 anos em uma mesma delegacia, em Herval D’Oeste. No ano de 1995 foi convocado pela justiça para trabalhar no setor penal do presídio masculino, durante três anos meio, e nos próximos seis anos presta serviços para o presídio feminino. Chega a hora de, de fato, se aposentar em 2005.

 

Recado

Tamanha experiência de vida possibilitou ao St. RR. Sebastião deixar um recado para aos netos e filhos no livro publicado por ele, que segundo o autor se estende também aos jovens. “Não sigam caminhos já traçados, procurem construir sua própria trilha, com propósito firme de alcançar seus objetivos”, aconselha.

 
 
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